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Apoio social

Cuidar e apoiar – Um desafio

A solidariedade familiar e até mesmo de vizinhos continuam a constituir a base da sociedade e o grande parte do suporte existente no apoio ao envelhecimento e aos diferentes tipos de dependência em Portugal, sendo transversais a todos os níveis etários.
O cuidador deve manter e se possível melhorar a funcionalidade da pessoa com dependência e promover a sua autonomia, respeitando sempre a sua privacidade e ao mesmo tempo mantendo uma relação de respeito.
É importante proporcionar conforto e bem-estar à pessoa de quem cuidam e ajudar a ultrapassar da forma mais adequada as limitações resultantes do grau de dependência que o afecta.

Que respostas sociais existem?

Acolhimento familiar para pessoas idosas

Consiste numa Resposta social que tem como principio integrar, temporária ou permanentemente, em famílias consideradas idóneas, pessoas idosas quando, por ausência ou falta de condições de familiares e/ou inexistência ou insuficiência de respostas sociais, não possam permanecer no seu domicílio. Tem como Objectivos:
Acolher pessoas idosas (no máximo de três), que se encontrem em situação de dependência ou de perda de autonomia, vivam isoladas e sem apoio de natureza sócio-familiar e/ou em situação de insegurança; Garantir à pessoa acolhida um ambiente sócio-familiar e afectivo propício à satisfação das suas necessidades e ao respeito pela sua identidade, personalidade e privacidade; Evitar ou retardar o recurso à institucionalização. Tem como destinatários: Pessoas com 65 e mais anos.
Como ter acesso a este serviço?
Deve dirigir-se ao Serviço da Segurança Social mais próximo da sua área de residência.

Serviço de Tele-Alarme (STA)

Este serviço destina-se a pessoas em situação de dependência que careçam de apoio imediato no seu domicílio. É constituído por uma central de atendimento permanente, por um telefone especial colocado no domicílio da pessoa idosa e um medalhão com botão de alarme integrado. Em caso de emergência, basta pressionar o botão.
Como é constituído? Por uma central de atendimento permanente, por um telefone especial colocado no domicílio da pessoa idosa e um medalhão com botão de alarme integrado. A quem se destina? As pessoas que no seu domicilio careçam de apoio imediato, nomeadamente em situação de dependência. Com funciona? Basta accionar o botão de alarme existente no telefone ou no medalhão.
Em caso de queda, se não conseguir levantar-se ou não conseguir chegar ao telefone, basta pressionar o botão do medalhão, que de imediato é atendido pela operadora da Central de Alarme. Esta, por sua vez, contacta de imediato as pessoas ou instituições que ficaram registadas na ficha de inscrição como os elementos da rede de apoio local do aderente. Quem financia este serviço? Programa de Apoio Integrado a Idosos (financia o projecto); Cruz Vermelha Portuguesa (onde está instalada a central do Serviço de Tele-alarme e as operadoras); Portugal Telecom (que assegura a assistência técnica).
O que fazer para obter um Tele-alarme?
Entrar em contacto com uma das Instituições acima referidas.

Lar de Idosos

Consiste numa Resposta social, destinada a alojamento colectivo, de utilização temporária ou permanente, para pessoas idosas ou outras em situação de maior risco de perda de independência e/ou de autonomia. Tem como objectivos: Acolher pessoas idosas, ou outras, cuja situação social, familiar, económica e /ou de saúde, não lhes permite permanecer no seu meio habitual de vida; Assegurar a prestação dos cuidados adequados à satisfação das necessidades, tendo em vista a manutenção da autonomia e independência; Proporcionar alojamento temporário, como forma de apoio à família; Criar condições que permitam preservar e incentivar a relação inter-familiar; Encaminhar e acompanhar as pessoas idosas para soluções adequadas à sua situação. O valor de referência estipulado para o ano de 2008 é de 756,11€ utente /mês.
O que fazer se necessitar deste serviço?
O 1-º passo será inscrever o seu familiar nos Lares mais próximos da sua área de residência. Em alternativa não havendo resposta deverá contactar uma Instituição lhe possa prestar um serviço alternativo, nomeadamente o Apoio Domiciliário.

Serviço de Apoio Domiciliário

Esta resposta social, consiste na prestação de cuidados individualizados e personalizados, no domicílio, a pessoas idosas em situação de dependência que não possam assegurar temporária ou permanentemente, a satisfação das necessidades básicas e/ou as actividades da vida diária. Tem como objectivos: Contribuir para a melhoria da qualidade de vida dos indivíduos e famílias; Garantir a prestação de cuidados de ordem física e apoio psicossocial a indivíduos e famílias, de modo a contribuir para seu equilíbrio e bem-estar; Prevenir situações de dependência, promovendo a autonomia. Tem como destinatários: indivíduos e famílias, prioritariamente pessoas idosas, pessoas com deficiência, pessoas em situação de dependência. O pagamento é baseado em 50% dos rendimentos da pessoa que irá usufruir destes serviços.
Onde me devo dirigir para usufruir deste serviço?
Às Instituições que existam na sua comunidade.
As respostas a este serviço são rápidas?
Em princípio será uma das respostas sociais mais rápidas.

Centro de dia

Esta resposta social, presta um conjunto de serviços que contribuem para a manutenção das pessoas idosas no seu meio sócio-familiar. Tem como objectivos: Proporcionar serviços adequados à satisfação das necessidades dos utentes; Contribuir para a estabilização ou retardamento das consequências nefastas do envelhecimento; Prestar apoio psicossocial; Fomentar relações interpessoais; Favorecer a permanência da pessoa idosa no seu meio habitual de vida; Contribuir para retardar ou evitar a institucionalização; Contribuir para a prevenção de situações de dependência, promovendo a autonomia. Tem como destinatários: pessoas que necessitem dos serviços prestados pelo Centro de Dia, prioritariamente pessoas com 65 e mais anos. O pagamento é baseado em 40% dos rendimentos da pessoa que irá usufruir destes serviços.
Como saber que instituições têm este tipo de serviço?
Dirigir-se ao serviço de Atendimento da Segurança Social da sua área de residência

Unidade de Cuidados Continuados

Foi também criada a Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados de Saúde a Idosos e Dependentes, no âmbito dos Ministérios da Saúde e do Trabalho e da Solidariedade Social. Nesta Rede foram criadas Unidades Cuidados Continuados Integrados que visam: promover a autonomia melhorando a funcionalidade da pessoa em situação de dependência, através da sua reabilitação, readaptação e reinserção familiar e social e manutenção do conforto e qualidade de vida, mesmo em situações irrecuperáveis.
Como Proceder para encaminhar?
No caso do doente se encontrar no domicílio, lar ou outra situação de Apoio Domiciliário, os familiares devem requerer deste apoio junto do médico de família que segue o doente para preenchimento do devido formulário.No caso do Cuidador revelar sinais de cansaço o que fazer?
Existe ainda a modalidade de Descanso Familiar que consiste na oportunidade dos familiares que tenham a seu cargo doentes acamados/ dependentes e que se encontrem com um grande desgaste físico e psicológico pelo que podem usufruir deste descanso por um período de tempo até 90 dias por ano.

Outras orientações…

Orientações ao cuidador sobre o paciente

Não descarregue o seu stress ou as suas angústias no paciente;
Respeite a sua dor;
Estabeleça limites com ele;
Use o senso de humor, ria com o paciente e tente manter o diálogo;
Mantenha-o informado dos acontecimentos da actualidade;
Reconheça e previna os primeiros sintomas de depressão;

Orientações ao cuidador sobre o cuidador

»Estabeleça um tempo para si,
»Evite assumir todos os cuidados;
»Não hesite em pedir ajuda se algo não estiver bem ou se não se sentir capaz de cuidar;

Outras ajudas…

Como manter a qualidade de vida num doente acamado?

Deve tentar estimular o contacto social;
Mantenha-o informado de tudo o que se passa no dia-a-dia da família;
Levar para banhos de sol (diminuiu os sinais de depressão);
Deixar o paciente parte do tempo na sala ou local onde ocorra maior circulação dos familiares, diminuindo o sentimento de solidão e isolamento;
Manter o paciente asseado e confortável;
Manter hábitos alimentares correctos e regulares, proporcionando refeições variadas, com boa apresentação e cheirosas;
Promover a rotina do banho;

Como manter um doente acamado ocupado?

Deve ter sempre em atenção as preferências do doente, respeitando o seu grau de dependência;
Sempre que possível, procure aconselhamentos com profissionais capacitados para indicar as actividades próprias para o paciente praticar mediante as suas capacidades físicas e/ou mentais;
As actividades sociais fora de casa devem ser seleccionadas e os amigos ou familiares que o acompanham devem ter plena consciência das suas limitações para que possam agir transmitindo calma e segurança;
Ouvir música do seu agrado, ler as notícias dos jornais, ver televisão, jogar ás cartas, fazer renda, etc.

Nunca deve fazer por ele o que ele pode fazer.

REFLEXÃO…

Nesta tipologia de situações o diagnóstico que mais frequentemente costumam ouvir é:
“JÁ NÃO HÁ NADA A FAZER!”
Quem nunca a ouviu, dê-se por muito feliz.
Quem nunca a disse, tente permanecer deste lado da barricada.
Quem alguma vez a proferiu perceba o alcance do tiro que deu. Porque quem a ouve, morre sempre um bocadinho…

Exercícios - Para manter-se activo

A vida é movimento. Por isso quando uma pessoa teve um AVC e tem mais tendência a ficar parada, é conveniente que mantenha alguma actividade física. Quando o paciente ainda possui pouco controle sobre os movimentos do seu tronco pode fazer exercícios deitado. Depois poderá fazê-los sentado ou de pé. Alguns exercícios poderão ser feitos pelo próprio, se estiver lúcido. Outros exercícios terão que ser feitos com a sua ajuda.

Exercícios respiratórios

Melhorar a respiração e a saída da expectoração

Melhorar a respiração mediante a realização de exercícios é uma das actividades que se devem ensinar aos cuidadores.
Melhora a oxigenação geral do corpo e evita a acumulação de secreções (expectoração) nos brônquios.
É importante que tenha em conta que esta folha serve apenas para se lembrar dos exercícios que lhe foram ensinados pela equipa que está a assistir o paciente.

Somos aquilo que comemos

Ouvimos dizer isto com frequência. No entanto, no esforço de darmos aos nossos familiares e amigos aquilo que consideramos ser o melhor, por vezes sem querer erramos. Isto porque comer bem não quer dizer comer muito ou coisas que são caras. Comer bem significa comer o que o nosso corpo precisa para que se mantenha com saúde. No caso dos jovens que estão crescer, das senhoras grávidas ou a amamentar e dos convalescentes, as necessidades poderão ter que ser aumentadas.
Neste conjunto de folhas do Manual vamos tentar orientá-lo acerca do que é uma alimentação saudável e de como ultrapassar algumas dificuldades em lidar com a alimentação duma pessoa que teve um AVC.
Primeiro informe-se se o seu familiar precisa de aumentar ou reduzir o peso. Se tem algumas doenças que interfiram com a alimentação a escolher, como hipertensão, diabetes ou colesterol aumentado. Finalmente se consegue engolir bem, sem se engasgar.
Encontrará neste conjunto de folhas conselhos de como lidar com vários problemas que têm que ver com a alimentação. Veja quais são as folhas que serão úteis no seu caso.

Higiene

Quando falamos de higiene estamos a referirmo-nos a todas as actividades que promovem a limpeza do corpo e o seu conforto. A higiene é essencial para a promoção da saúde e para a sensação de bem estar.Como no tratamento do corpo estão incluídas actividades que envolvem alguma intimidade, é importante que sejam rapidamente ensinadas para melhorar a auto-estima do paciente.Nestas folhas irá encontrar algumas sugestões de como uma pessoa com um lado paralisado pode, por exemplo, colocar desodorizante, fazer a barba ou lavar a parte de cima do corpo.Também de como tratar da higiene de pessoas totalmente dependentes.


Posicionamento do doente após o AVC

Após um AVC, a sensibilidade e o controlo dos movimentos do doente encontram-se muitas vezes diminuídos. Por isso, é muito importante ter cuidado com a posição em que se põem, pois podem não ser capazes de sentir que se estão a magoar e, portanto, de mudar instintivamente de posição.

Um posicionamento adequado do doente, quer na cama, quer sentado, é muito importante porque:
• é mais confortável,
• evita as úlceras de pressão (escaras) e as deformidades articulares,
• previne a espasticidade,
• melhora a respiração e
• facilita a recuperação.

As posições devem ser mudadas de 2h em 2h, quando está deitado e, se possível, ficar algum tempo do dia sentado. Neste espaço de tempo, o doente deve ainda ser estimulado a fazer ligeiras mudanças de posição de 30 em 30 minutos. Nas mudanças de posição é importante que o paciente seja levantado ou que role na cama. Não deve ser arrastado. Se o fizer podem aparecer bolhas nessas zonas do corpo e posteriormente escaras.

Escaras

Estar deitado ou sentado muito tempo na mesma posição favorece a formação de feridas no corpo (úlceras de pressão ou escaras). Elas surgem em áreas onde há mais pressão ou fricção do corpo contra a cama, especialmente nas zonas onde há saliências ósseas. Para além das mudanças de posição, as zonas de pressão devem ser protegidas com almofadas e a roupa da cama deve ficar bem esticada.

Espasticidade

 Os músculos necessitam de ter um tónus (ou tensão) suficiente para permitir mover o corpo ou manter a sua posição contra a gravidade . Ao mesmo tempo deve ser possível relaxar os músculos para o seu normal descanso e proporcionar movimentos controlados, com flexibilidade e fluidez. Quando os músculos nestes pacientes ficam “presos” e os movimentos não são bem controlados, isso pode ser devido à espasticidade.
Na espasticidade há um aumento do tónus ou da tensão de certos músculos. A contracção dos músculos não se faz de modo normal e foge ao controlo da pessoa atingida pelo AVC. Às vezes aparecem mesmo movimentos em “sacões” e mover as articulações é muito difícil. Realizar as actividades da vida diária, como vestir, comer, fazer a higiene e até o caminhar, pode revelar-se bastante difícil, pois a espasticidade pode atrapalhar muito os movimentos.


Após a fase aguda do AVC, o doente pode desenvolver um padrão espástico que se caracteriza por:

  • Inclinação da cabeça para o lado afectado;
  • Ombro afectado em retracção, depressão e rotação interna;
  • Antebraço em flexão e pronação;
  • Dedos em flexão e adução;
  • Anca em retracção e rotação externa;
  • Joelho em extensão;
  • Pé em flexão plantar e inversão. 

 Ou seja, a cabeça inclinada para o lado afectado, o ombro descaído, o membro superior todo dobrado e junto ao corpo, e o membro inferior todo esticado e rodado para fora. 

Posicionamentos

Este é um posicionamento correcto, ou seja, anti-espástico, se revela de extrema importância.

  • Cabeça alinhada com o corpo;
  • Protracção da omoplata;
  • Ombro em abdução e rotação externa;
  • Cotovelo e punho em extensão;
  • Antebraço em supinação;
  • Dedos em extensão e abdução;
  • Extensão do tronco do lado afectado;
  • Anca em flexão e rotação interna;
  • Joelho em flexão;
  • Pé em flexão dorsal e eversão.

Ou seja, a cabeça e o tronco alinhados, o membro superior todo esticado e afastado do corpo, a mão aberta, os dedos afastados, e o membro inferior todo dobrado e rodado para dentro.

  • Com a sua mão na omoplata, deve colocar o ombro afectado do doente mais para a frente (cuidado para não puxar pelo braço!). O braço deve ficar esticado, a palma da mão virada para cima e os dedos afastados. Se a mão tiver espasticidade, deve ser aberta de forma gradual e suavemente, para não aumentar a espasticidade.
  • Deve colocar a perna afectada ligeiramente dobrada.
  • A perna sã deve ficar dobrada e apoiada numa almofada, à frente da perna afectada.

Deitado com o lado afectado para cima:

  • Colocar o braço afectado esticado com a mão aberta sobre almofadas, até ficar à altura do ombro.
  • Colocar a perna afectada ligeiramente dobrada e apoiada numa almofada.
  • Se necessário, colocar uma almofada nas costas para o doente não rolar para trás.

Deitado de costas:

  • Colocar uma almofada debaixo do ombro afectado, deixando o cotovelo esticado e a palma da mão virada para cima.
  • Colocar uma almofada debaixo da anca afectada. O joelho deve ficar ligeiramente dobrado.
  • A perna afectada deve ficar rodada para dentro.

Sentado:

  • Deve estar sentado direito e com as costas encostadas à cadeira.
  • O braço afectado deve estar apoiado numa mesa ou tabuleiro e em almofadas. O cotovelo deve ficar esticado e a mão aberta.
  • Se necessário, deve colocar uma almofada debaixo da nádega afectada para que o joelho não rode para fora.

Segurança

Como em qualquer situação em que temos alguém a cargo, uma das primeiras preocupações que temos é com a segurança. Por isso este tema foi focado na folha sobre o 1º dia. Nessa folha alertamos para as questões mais básicas.
A situação em que pode estar pode ser muito diversa, por isso as folhas que compõem este manual sobre este tema são também muito diferentes. Pode estar a tomar conta duma pessoa que não se move. Neste caso os perigos são provocados pelos outros que mexem nela, ou por queda da cama ou da cadeira. No caso duma pessoa que anda mas tem pouca consciência de si, pode colocar-se ela própria em perigo.
Avalie entre estes dois extremos aonde é que se coloca. Depois veja quais os conselhos que poderão ser úteis.
Lembre-se que as situações onde há mais acidentes são nas mudanças de lugar (transferências) e nos locais com mosaicos no pavimento ou pouco iluminados. Nestas situações há que ter especial cuidado, não só com o paciente como também consigo!

A Psicologia nos Cuidados Informais ao paciente com sequelas de AVC

A determinada altura do ciclo de vida da família podem ocorrer mudanças que obrigam a que esta tenha que se re(estruturar), nomeadamente o aparecimento de doenças crónicas como é o caso das sequelas de AVC. Quando tal acontece no seio de uma estrutura familiar, o primeiro impacte é de dúvida e incerteza em relação ao cuidado a prestar. A família terá portanto que (re)defenir novamente as suas funções e responsabilidades. É sobretudo nestas alturas que pode surgir a “crise” familiar e é nesse sentido que este capítulo do manual pretende intervir. O Objectivo é ajudar o(s) familiare(s)/cuidadores a lidar com os sentimentos de angústia que podem ocorrer nesta fase e sobretudo a perspectivar esta crise como um desafio e uma oportunidade para a mudança, que se pretende positiva. 

Violência… Uma realidade escondida ou verdade mascarada?

As mudanças que ocorrem na sequência de um AVC não se centram apenas nas modificações cognitivas, emocionais e funcionais do paciente e do seu cuidador. Na verdade, estas ocorrem no conjunto de rede relacionais repercutindo-se sobretudo ao nível do relacionamento familiar e social. Desta forma, as modificações decorrentes fazem-se sentir na relação entre o idoso e o sujeito cuidador, na relação conjugal da pessoa que presta cuidados bem como nas relações filiais, fraternais e extra-familiares. Perante este novo desafio, de enfrentar a doença e tudo que ela representa, a estrutura familiar é aquela que mais sofre alterações: surgem novas exigências e reajustamentos e novas relações de poder que obrigam a que toda a família, directa ou indirectamante, tenha de se (re)estruturar. Paralelamente, emerge a relação de “dependência” nomeadamente do paciente que passa a ter que depender de um cuidador para a realização das actividades da vida diária e satisfação das suas necessidades pessoais. Na maior parte dos casos, esta relação de dependência, é para ambos (paciente e cuidador) ainda bastante complexa. Por um lado, o paciente, vê a sua intimidade e privacidade “invadida” o que lhe poderá provocar num primeiro momento, algum embaraço e constrangimento. Por outro lado, o cuidador, passa a ter de assumir as principais tarefas e terá de aprender a construir uma nova forma de relação e moldá-la às reais necessidades da pessoa que tem a seu cargo.

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